povoada de ausências, 2020

de Silvana Macêdo

Silvana Macêdo explora luz e movimento para compor fotografias que aludem a pintura. Em Povoada de Ausências, a artista enfrenta o luto e angústias pessoais diante do sofrimento coletivo nas circunstâncias históricas que nosso país atravessa. Sobre o processo Silvana nos fala: “Enquanto a casa dorme, o som do vento bate nas folhas do coqueiro e eu consigo escrever. Uma noite sem lua, e sem estrelas, mas não está tão fria. Tem ainda um lugar em mim onde aquela intensidade de desespero ainda vive. Eu resolvi não olhar mais para esse poço fundo e escuro e fingir que ele não existe mais, e sigo minha vida como se nada tivesse acontecido. Mas algo do fundo do poço vem quando escrevo insone nas noites pandêmicas. E que aparecem nas imagens do meu autorretrato em dias de tristeza profunda. Pura encenação? Histeria?” Estamos diante de autorretratos e auto ficções que tentam dar corpo às palavras atravessadas pelo tempo que nos arrasta lentamente. Declara dores individuais coletivas. Faz da fotografia uma linguagem em expansão de movimentos, sensações, transparências, camadas.

texto de Juliana Crispe