
secas, 2024-26
A série “Secas” é composta por um conjunto de trabalhos em desenvolvimento, que inclui pinturas, fotografias entre outras mídias. O díptico fotográfico Colapso do Capitaloceno e Banho a seco no leito, reflete sobre o impacto do sistema capitalista global no clima e na saúde de seres humanos e não humanos. As imagens retratam o Rio Negro e afluentes durante a grande seca da Bacia Amazônica em 2023, e confrontam o negacionismo climático que resulta em tragédias há muito anunciadas e denunciadas. O ancestral banho de rio neste cenário de fim do mundo, diante do leito seco do rio, se torna o banho a seco no leito - uma técnica de limpeza corporal para pacientes acamados.
A paleta acinzentada da pintura Onde tem agro, tem desmatamento remete a uma tristeza e indignação diante das generalizadas queimadas de florestas tropicais provocadas pelo avanço histórico e contínuo das atividades de pecuária e sojicultura sobre a floresta nativa.
Em contraste com a cena de devastação, Nasci no Cerrado é uma peça pictórica vestível autobiográfica na qual a artista traz para o corpo, a memória da flora e fauna do Cerrado, seu bioma de origem. Compondo a capa, estão sementes de papoulinha do cerrado, um lobo guará, uma onça pintada, e um frondoso pé de pequi, é pintado com longas raízes que alcançam profundas camadas freáticas, estratégia vegetal de sobrevivência durante períodos de seca. Abaixo da capa, um vestido com estamparia botânica traz folhas de árvores do bioma da Mata Atlântica onde a artista vive atualmente.








